domingo, 6 de novembro de 2011

                 Um dia me disseram que eu tinha que ser forte. Eu ainda não entendia muito o que podia acontecer na vida. Ao longo do tempo fui interpretando e vivenciando a frase. Ia sendo forte, sempre um pouquinho mais forte do que antes. Um dia eu não consegui mais ser forte. Eu disse que tudo bem, poderia acontecer o que fosse, eu não iria reagir. Lembro-me de chorar muito. Sem grandes dramas achando que o mundo ia acabar - eu sabia que não ia. Apenas chorei porque não tinha mais força para reagir. Desse dia em diante eu me senti mais forte. Descobri a força de uma fraqueza. É importante isso: descobrir o quanto a gente aguenta. Porque não importa se você passou a noite inteira chorando, o dia amanhece. As coisas e as pessoas seguem na roda da vida. Mas reservar um tempo às lágrimas - mesmo forçadas - me fez um bem danado! Por que eu sempre tenho que ser forte? A vida está aí, não está? Vai seguir estando comigo ou sem mim. A verdade é que eu quero sempre ser forte e ultrapasso os meus próprios limites por isso. Entretanto, eu aprendi a chorar, a dizer ‘me dá a tua mão porque a minha ficou fraca’ e a ver os meus pontos fracos. A vida, essa que a gente vive muito sem entender, não nos quer forte para sempre. Ela nos quer, acima de tudo, inteiros, mesmo quando isso significa baixar a guarda. Ela nos quer com uns arranhões de sobrevivência. Por isso, eu escrevi e repito: ‘doutor, cancela a cirurgia’. Deixa tudo que é marca. Deixa a minha força aprender a ser maior após cada queda. Dá para me entender? A gente só sobrevive porque quase morre todos os dias, mas aguenta, porque amanhã tem mais, depois também e assim vai. Naturalmente, estar vivo é a maior força que ninguém enxerga.

Nenhum comentário:

Postar um comentário